MP ingressa ação pública contra empresas do Polo Petroquímico de Capuava

Por Portal Opinião Pública 19/03/2018 - 11:18 hs
Foto: Divulgação

 

As promotorias do Meio Ambiente de Santo André e de Mauá ingressarão com ação civil pública contra as 14 empresas que compõem o Polo Petroquímico de Capuava, após a conclusão do estudo realizado pela USP (Universidade de São Paulo), a pedido do MP (Ministério Público), que apontou o alto índice de poluentes emitidos pelo complexo.

“A gente quer que elas se adéqüem às condições ambientais devidas, que poluam o mínimo possível e que o que sai de lá não deixe as pessoas doentes”, observa o promotor de Santo André José Luiz Saikali, que está temporariamente à frente da promotoria de Mauá.

Para dar abertura à ação, são aguardadas informações que foram solicitadas as rés, sobre a situação da saúde dos trabalhadores do polo, além do relatório pedido à Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), referente às emissões medidas pelo órgão ao longo dos anos e as informadas pelas empresas.

A pesquisa desenvolvida pela USP apontou, entre outras situações, nível de poluentes 17 vezes maior do que o medido pela Cetesb. “O estudo aprofundou mais, a gente tentou abranger mais poluentes”, explica Saikali. “Esperamos que, com essa experiência toda, a Cetesb aprimore as medições”, acrescenta.

O MP financiou a realização do estudo, com recursos advindos de compensação ambiental, conquistados em inquérito na área. O promotor não soube afirmar o valor investido, mas salienta que “não foi barato”, uma vez que o estudo envolveu grande quantidade de técnicos e equipamentos para chegar ao resultado. “Sobrou um valor e os estudos não estão cessados, vão continuar”, disse.

O inquérito investiga, desde 2002, a ligação entre os poluentes das indústrias com o alto número de moradores do entorno que desenvolveram mal de Hashimoto e doenças respiratórias. “É  o inquérito mais antigo que tenho. As empresas foram procuradas ao longo de vários anos, convidadas a participar da investigação, mas queriam que fossem feitos determinados procedimentos do jeito que achavam que deveriam ser. Queriam praticamente limitar a pesquisa”, lembra o promotor.